Officia poetae na poética clássica: dinâmicas entre docere, delectare e commovere em Aristóteles e Horácio

A dissertação tem por objeto geral a questão das funções ou finalidades da poesia, tais como descritas na teoria poética de Aristóteles e Horácio, em paralelo aos ofícios do orador, tais como descritos na teoria retórica de Cícero, que os toma de Aristóteles. Daí o empréstimo terminológico, a partir...

Full description

Bibliographic Details
Author: Marchiori, Pietro Dri
Format: Master's thesis
Status:Published version
Publication date:2025
Country:Brasil
Institution:USP
Repository:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-25032025-091759
Online Access:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8143/tde-25032025-091759/
Access Level:Open access
Keyword:Aesthetics
Aristóteles
Aristotle
Cicero
Cícero
Estética
Horace
Horácio
Poética
Poetics
Retórica
Rhetoric
Description
Summary:A dissertação tem por objeto geral a questão das funções ou finalidades da poesia, tais como descritas na teoria poética de Aristóteles e Horácio, em paralelo aos ofícios do orador, tais como descritos na teoria retórica de Cícero, que os toma de Aristóteles. Daí o empréstimo terminológico, a partir desse, \"ofícios do poeta\". Por objeto específico tem as dinâmicas entre instrução, deleite e comoção observáveis nas obras de Aristóteles e Horácio, isto é, como estas funções se relacionam entre si em termos de independência ou interação. Por problema tem o quão similar ou diversamente consideram estes autores a dinâmica entre essas três funções poéticas, e em que sentido. Por metodologia, empreendeu-se uma revisão de literatura em duas etapas principais: preliminarmente, determinou-se o que se pode entender como o conceito de poesia de cada um; então, como primeira etapa, buscou-se extrair das obras de Aristóteles e Horácio o máximo possível sobre os ofícios e sua dinâmica; depois, como segunda etapa, analisou-se o contexto de suas ideias, tanto nos predecessores de Aristóteles quanto nas possíveis conexões entre Aristóteles e Horácio e especialmente em Cícero. Concluiu-se que os autores veem os ofícios do poeta de modos essencialmente diversos, com semelhanças apenas aparentes. Em primeiro lugar, têm conceitos muito diferentes de poesia. Em segundo, enquanto em Aristóteles há tripartições aparentadas (porém diversas) das funções da retórica e da música e um foco na comoção no caso da poesia, com uma complexa dinâmica de interações entre essas funções, em Horácio, por outro lado, há uma bipartição das funções poéticas que inclui a comoção como parte do deleite, com independência entre elas. Em terceiro, a diferença com semelhanças apenas aparentes se dá, ao que tudo indica, porque ambos conversam com uma discussão teórica comum, que passa principalmente por Aristófanes e Platão, mas que chega a Horácio sobretudo pela via da crítica literária helenística, a qual se afasta fortemente de Aristóteles, com uma pequena influência através de Cícero, que a toma de Aristóteles