Os nevoeiros de José Saramago: questões contemporâneas em Ensaio sobre a cegueira

A obra de José Saramago é marcada pela repetição de alguns termos. Com certa frequência encontram-se alusões a nuvem, neblina, névoa e nevoeiro, elementos que surgem em momentos significativos de seus romances, o que faz com que se suponha que tais inserções não são aleatórias. Diante da frequência...

Full description

Bibliographic Details
Author: Andrião, Roberta Nunes
Format: Master's thesis
Status:Published version
Publication date:2016
Country:Brasil
Institution:UERJ
Repository:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UERJ
Language:Portuguese
OAI Identifier:oai:www.bdtd.uerj.br:1/6865
Online Access:http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/6865
Access Level:Open access
Keyword:Mist
Contemporaneity
Time-space
Nevoeiro
Contemporaneidade
Tempo-espaço
Saramago, José, 1922-2010 Crítica e interpretação
Saramago, José, 1922-2010. Ensaio sobre a cegueira
O contemporâneo
CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS::OUTRAS LITERATURAS VERNACULAS
Description
Summary:A obra de José Saramago é marcada pela repetição de alguns termos. Com certa frequência encontram-se alusões a nuvem, neblina, névoa e nevoeiro, elementos que surgem em momentos significativos de seus romances, o que faz com que se suponha que tais inserções não são aleatórias. Diante da frequência com que os nevoeiros se apresentam nos romances do autor, a questão que se coloca é em que medida essa presença pode ser relevante para o entendimento de sua obra. Alguns autores de outros campos do saber abordam em seus trabalhos o tema do nevoeiro. Claude Lévi-Strauss aponta pelo menos dois papéis para fenômeno: um disjuntivo e outro conjuntivo. Zygmunt Bauman traduz como um viver na neblina a condição social contemporânea, capaz de ocultar os perigos e seus medos derivados. Guilherme Wisnik nos fala de uma estética do nevoeiro ao analisar obras de arte e arquitetônicas que procuram romper com o reconhecimento imediato da forma: desorientando mais do que direcionando, confundindo mais do que esclarecendo, escondendo mais do que revelando obras com características informes, que se contrapõem ao momento atual, de excessiva nitidez. Em Ensaio sobre a cegueira (1995) Saramago aponta também para o contexto contemporâneo rompendo não só com sua nitidez, mas com a própria visão, imergindo as personagens em um imenso nevoeiro. Esta dissertação analisa como a ruptura com a visão pode paradoxalmente provocar um olhar mais apurado nos leitores para questões críticas sobre a contemporaneidade e, consequentemente, sobre o próprio ser humano.